Terras agrícolas em alta: Preços disparam mais de 110% em 5 anos - Como investir com segurança?

Descubra por que o valor das terras agrícolas registrou aumento histórico nos últimos anos, os riscos e oportunidades para investidores e as perspectivas para o mercado de terras no Brasil.

Publicado em 03/02/2025 por Rodrigo Duarte.

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O mercado de terras agrícolas no Brasil vem passando por uma transformação sem precedentes nos últimos anos. De acordo com dados da Scot Consultoria, entre 2020 e 2025, o preço médio das terras agrícolas no país registrou um aumento impressionante de 113%, elevando-se de R$ 14.818,10 por hectare para R$ 31.609,87. Nas áreas destinadas a pastagens, a valorização foi ainda mais expressiva, atingindo 116%, com o preço do hectare saltando de R$ 8.267,14 para R$ 17.886,94.

Quando ajustados pela inflação do período, esses números representam um aumento real de aproximadamente 59,9%, demonstrando um desempenho significativamente superior a outros investimentos tradicionais. Para efeito de comparação, no mesmo período, o Ibovespa teve uma valorização de apenas 25,89%, enquanto a poupança rendeu 28,66%.

A expressiva valorização também superou significativamente o rendimento de outros ativos considerados seguros, como os títulos públicos federais e o ouro. O Tesouro IPCA+, por exemplo, apresentou rentabilidade de 38,2% no período, enquanto o ouro teve valorização de 42,3%, evidenciando ainda mais o extraordinário desempenho do mercado de terras agrícolas como opção de investimento.

Terras agrícolas em alta: Preços disparam mais de 110% em 5 anos - Como investir com segurança?
Créditos: Redação

Os Fatores por Trás da Valorização

A explosão nos preços das terras agrícolas pode ser atribuída a diversos fatores convergentes. A pandemia de Covid-19 teve um papel fundamental ao evidenciar a importância estratégica do setor agrícola. Além disso, o boom das commodities em 2023 e a escassez de estoques globais contribuíram para aumentar o interesse por ativos rurais.

Um aspecto crucial nessa valorização é o fato de que a terra passou a ser vista como um ativo 'dolarizado', ou seja, diretamente vinculado à cotação de produtos agrícolas como soja, milho e café, que são comercializados em moeda estrangeira. Isso tem atraído tanto investidores locais quanto internacionais.

Outro elemento significativo foi a modernização do setor, com a crescente adoção de tecnologias de agricultura de precisão e práticas sustentáveis. Áreas que implementaram sistemas integrados de produção, como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), experimentaram valorizações ainda mais expressivas, chegando a superar em 25% a média nacional de valorização.

O Impacto Regional da Valorização

A valorização das terras não ocorreu de maneira uniforme em todo o país. Em Rondônia, por exemplo, o preço das terras agrícolas aumentou impressionantes 300%, enquanto as áreas de pastagens registraram alta de 286%. Estados como Maranhão e Piauí também apresentaram valorizações superiores a 200%. O Paraná se destaca pelos preços mais elevados, chegando a quase R$ 60 mil por hectare, devido à qualidade do solo e infraestrutura consolidada.

As regiões de fronteira agrícola, particularmente aquelas localizadas no MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), têm atraído especial atenção dos investidores devido ao potencial de valorização ainda maior. Nestas áreas, além da valorização natural do mercado, investimentos em infraestrutura e logística têm impulsionado ainda mais os preços, com algumas localidades registrando aumentos superiores a 350% no período analisado.

Perspectivas para o Mercado de Terras

Para 2025 e 2026, a expectativa dos especialistas é de estabilidade nos preços, sem grandes variações. Segundo Anderson Galvão, analista da Céleres Consultoria, a redução da 'renda sobrando' por parte dos agricultores, combinada com quedas de safra em algumas regiões e um cenário mais pessimista, indica que o interesse por novas aquisições será mais limitado.

Os analistas destacam que, apesar da tendência de estabilização, certas regiões específicas, especialmente aquelas que estão recebendo grandes investimentos em infraestrutura logística ou que possuem projetos de irrigação em desenvolvimento, podem continuar apresentando valorizações acima da média nacional, mantendo o interesse dos investidores mais qualificados do setor.

O Mercado de Arrendamentos e a Liquidez

O mercado de arrendamentos também tem sido impactado por essas mudanças. Em 2024, houve uma queda considerável na liquidez do mercado de terras. A redução dos preços das commodities tem dificultado o equilíbrio financeiro de muitos produtores, afetando diretamente o ritmo de negociações. Agricultores que firmaram contratos de arrendamento com valores elevados entre 2023 e 2024 enfrentam agora desafios para manter suas operações.

Como resposta a esse cenário desafiador, tem surgido uma tendência de contratos de arrendamento mais flexíveis, com valores parcialmente atrelados à produtividade e aos preços das commodities. Essa nova modalidade tem se mostrado uma alternativa interessante para equilibrar os interesses de proprietários e arrendatários, permitindo uma melhor distribuição dos riscos e oportunidades do negócio.

Alternativas de Investimento no Setor

Para investidores interessados no mercado de terras agrícolas, mas que não desejam ou não podem adquirir propriedades diretamente, existem alternativas como o Fiagro (Fundo de Investimento em Ativos do Agronegócio). Esses fundos permitem exposição ao setor através de investimentos em terras e títulos relacionados ao agronegócio, como o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), que oferece rentabilidade atrelada às commodities.

Além dos Fiagros, o mercado tem desenvolvido produtos financeiros inovadores, como as Cédulas de Produto Rural (CPR) digitais e os fundos de investimento em cadeias produtivas específicas. Estes instrumentos oferecem aos investidores a possibilidade de participar do crescimento do setor agrícola com tickets mais baixos e maior liquidez, democratizando o acesso a este mercado em franca expansão.

ESCRITO POR: Rodrigo Duarte - Jornalista formado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), com especialização em Marketing Digital.