Ronco e Apneia do Sono: Como identificar e tratar estes distúrbios que afetam 72% dos brasileiros

Descubra os sinais de alerta, consequências e tratamentos para ronco e apneia do sono. Entenda por que noites mal dormidas podem comprometer seriamente sua saúde e qualidade de vida.

Publicado em 20/03/2025 por Rodrigo Duarte.

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Acordar cansado, ter dificuldade de concentração e sentir sonolência durante o dia podem ser sinais de um problema de saúde que vai além do simples desconforto. Segundo pesquisa recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 72% dos brasileiros sofrem com algum tipo de distúrbio do sono, sendo o ronco e a apneia do sono dois dos mais prevalentes e preocupantes.

Estas condições não afetam apenas a qualidade de vida, mas também comprometem seriamente o funcionamento do organismo. A privação prolongada de sono enfraquece o sistema imunológico e aumenta o risco de diversas doenças, incluindo problemas cardiovasculares e hipertensão arterial. Além disso, está fortemente associada ao desenvolvimento de condições de saúde mental como ansiedade e depressão.

De acordo com especialistas, muitas pessoas ainda subestimam os sinais desses distúrbios, acreditando que o ronco seja apenas um incômodo social ou até mesmo motivo de piada. "O ronco frequente e intenso deve ser investigado, pois pode ser um alerta para a apneia do sono, uma condição em que há interrupções da respiração durante o descanso", afirma o Dr. Ordival Augusto Rosa, especialista em Medicina do Sono do Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia (IPO).

Ronco e Apneia do Sono: Como identificar e tratar estes distúrbios que afetam 72% dos brasileiros
Créditos: Redação

Entendendo a Diferença Entre Ronco e Apneia do Sono

Embora ambos os problemas afetem o sono e as vias respiratórias, suas causas e impactos são significativamente diferentes. O ronco ocorre devido à vibração das estruturas da garganta durante a respiração, gerando um ruído que pode variar de leve a intenso. Esta condição por si só já pode interferir na qualidade do sono, tanto da pessoa que ronca quanto de quem dorme próximo.

Já a apneia do sono é uma condição muito mais grave, caracterizada por pausas temporárias na respiração que duram pelo menos 10 segundos. Estas interrupções provocam a queda dos níveis de oxigênio no sangue e levam a microdespertares ao longo da noite, mesmo que a pessoa não se lembre deles pela manhã. A consequência é um sono fragmentado e não-restaurador.

Entre os principais sintomas da apneia do sono estão: sonolência excessiva durante o dia, despertar com sensação de sufocamento, fadiga ao acordar mesmo após muitas horas de sono e dificuldades cognitivas como problemas de memória e concentração. "O sono deve ser restaurador. Se a pessoa acorda cansada e sente sonolência ao longo do dia, é essencial investigar a causa e buscar tratamento", enfatiza o Dr. Rosa.

A apneia do sono pode ser classificada em três níveis de gravidade, de acordo com o número de pausas respiratórias por hora:

  • Leve: 5 a 15 eventos por hora
  • Moderada: 15 a 30 eventos por hora
  • Grave: mais de 30 eventos por hora

Diagnóstico Preciso: O Caminho para o Tratamento Adequado

O diagnóstico dos distúrbios do sono é realizado por meio de exames específicos, sendo a polissonografia o padrão-ouro para identificação da apneia do sono. Este exame monitora diversos parâmetros durante o sono, incluindo padrões respiratórios, níveis de oxigenação do sangue, frequência cardíaca e atividade cerebral. "A polissonografia pode ser realizada tanto em ambiente hospitalar quanto domiciliar, dependendo da necessidade do paciente e da avaliação médica", explica o especialista.

Além da polissonografia, a avaliação médica completa inclui histórico clínico detalhado, exame físico focado nas vias aéreas superiores e, em alguns casos, exames complementares como tomografia computadorizada ou ressonância magnética. Este processo é fundamental para identificar a causa exata do problema e determinar a melhor abordagem terapêutica para cada caso.

É importante ressaltar que o diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações a longo prazo. Pessoas que suspeitam sofrer de distúrbios do sono devem procurar um médico especialista, como otorrinolaringologista, pneumologista ou neurologista com especialização em medicina do sono. A jornada para um diagnóstico correto é o primeiro passo para recuperar noites tranquilas e dias mais produtivos.

Abordagens Terapêuticas Modernas para Ronco e Apneia

O tratamento para ronco e apneia do sono varia conforme a gravidade do quadro e as características individuais do paciente. Em muitos casos, medidas comportamentais simples podem trazer melhorias significativas. A perda de peso é frequentemente recomendada, pois o excesso de gordura na região do pescoço pode comprimir as vias aéreas durante o sono.

Ajustes na posição ao dormir também podem ajudar. Evitar dormir de barriga para cima (posição supina) e elevar levemente a cabeceira da cama são estratégias que facilitam a passagem de ar. Além disso, a adoção de hábitos saudáveis como evitar álcool e sedativos antes de dormir, manter horários regulares de sono e praticar atividade física regularmente contribuem para a melhora do quadro.

Para casos moderados a graves de apneia do sono, o tratamento padrão-ouro é o CPAP (Continuous Positive Airway Pressure), um aparelho que fornece pressão positiva contínua de ar através de uma máscara nasal ou facial. "O CPAP mantém as vias aéreas abertas durante o sono, impedindo os episódios de apneia e normalizando os níveis de oxigênio no sangue", destaca o Dr. Rosa. Embora muito eficaz, algumas pessoas têm dificuldade de adaptação ao aparelho, o que pode comprometer a adesão ao tratamento.

Outra opção terapêutica são os aparelhos intraorais, dispositivos semelhantes a protetores bucais que avançam a mandíbula e a língua, ampliando o espaço das vias aéreas. Estes dispositivos são geralmente indicados para casos leves a moderados ou para pacientes que não se adaptaram ao CPAP. A eficácia destes aparelhos varia de acordo com as características anatômicas de cada pessoa e devem ser confeccionados por dentistas especializados.

Intervenções Cirúrgicas: Quando São Necessárias?

Nos casos em que há alterações anatômicas significativas que dificultam a respiração durante o sono, pode ser necessária intervenção cirúrgica. "Podem ser realizadas cirurgias nasais, faríngeas ou esqueléticas, dependendo da necessidade do paciente. Em algumas situações, a correção cirúrgica pode amenizar ou até eliminar o distúrbio respiratório", explica o Dr. Ordival Augusto Rosa.

Entre os procedimentos mais comuns estão a septoplastia (correção do desvio de septo nasal), a uvulopalatofaringoplastia (remoção de tecido da região da úvula e palato mole) e a adenotonsilectomia (remoção das amígdalas e adenoides), esta última especialmente indicada para crianças com apneia obstrutiva do sono. Em casos mais complexos, cirurgias de avanço maxilomandibular podem ser necessárias.

É importante ressaltar que a indicação cirúrgica deve ser bastante criteriosa e baseada em avaliação completa por equipe multidisciplinar. Os procedimentos cirúrgicos são geralmente considerados quando há falha no tratamento conservador ou impossibilidade de uso de CPAP. Como qualquer intervenção, apresentam riscos e benefícios que precisam ser cuidadosamente avaliados para cada paciente.

Consequências da Apneia Não Tratada e Importância da Prevenção

"Pacientes com apneia não tratada têm maior risco de desenvolver complicações cardiovasculares e hipertensão arterial", alerta o especialista. Além disso, estudos mostram que a condição está associada a aumento do risco de acidente vascular cerebral (AVC), arritmias cardíacas, diabetes tipo 2 e até mesmo acidentes de trânsito ou de trabalho devido à sonolência excessiva.

A prevenção dos distúrbios respiratórios do sono passa pela adoção de um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e higiene do sono adequada. Manter o peso adequado é particularmente importante, já que a obesidade é um dos principais fatores de risco para apneia do sono.

Para quem já apresenta ronco, mesmo sem diagnóstico de apneia, algumas medidas podem ajudar: evitar dormir de barriga para cima, não consumir álcool ou sedativos antes de dormir, manter o quarto bem ventilado e com umidade adequada, e tratar problemas nasais como rinite ou sinusite que possam dificultar a respiração nasal.

Se você ou alguém próximo ronca intensamente, apresenta pausas respiratórias durante o sono ou sente cansaço excessivo durante o dia mesmo após uma noite completa de sono, não subestime estes sinais.

Sintoma Ronco Simples Apneia do Sono
Ruído durante o sono Presente Presente, geralmente mais intenso
Pausas respiratórias Ausentes Presentes (≥ 10 segundos)
Sonolência diurna Leve ou ausente Moderada a grave
Despertar com sufocamento Raro Comum
Impacto na saúde cardiovascular Baixo Elevado
ESCRITO POR: Rodrigo Duarte - Jornalista formado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), com especialização em Marketing Digital.